Você Sabia?

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Por que o peixe elétrico não morre com seu próprio choque?

No caso dos peixes, o choque é mais uma das belas "ferramentas" que a natureza dispõe aos que podem ser "caçados", protegendo-os contra predadores. Mas será que o peixe elétrico também toma choque?

Para pensar nesta resposta, devemos entender outras duas perguntas:

Como a eletricidade pode ser conduzida? E o que são condutores de eletricidade?

Bem, um condutor de eletricidade é aquele que não traz resistência à passagem dos elétrons. Os elétrons são, na verdade, partículas com cargas elétricas que se movimentam seguindo um fluxo, o que significa que existe um sentido neste caminho!

Mas, para se movimentar, os elétrons precisam de alguém que "mostre" o caminho. Daí vem a noção de termos materiais que podem ser bons ou maus condutores de eletricidade! Os condutores, portanto, são aqueles que não irão trazer resistência para este fluxo de elétrons.

São bons condutores: os metais (cobre, ferro, alumínio, níquel), etc. São maus condutores (isolantes): o papel, a porcelana, a borracha, o vidro, e a madeira seca, entre outros.

Daí vem a noção de choque elétrico, que é uma reação do organismo à passagem de elétrons. Para sentirmos um choque elétrico devemos ter, então, facilidade de ter este fluxo, ou seja, devemos ser bons condutores!

Voltemos aos peixes elétricos, agora.

Existem inúmeros peixes elétricos, tanto em água doce como em água salgada!

Lembremos que a condução elétrica ocorre em função da existência de uma concentração iônica. Em águas muito puras, com baixa concentração iônica, a resistência à passagem da corrente elétrica à baixa condutividade será maior. Então, percebemos que independentemente da condutividade elétrica da água, a existência dos peixes elétricos não é afetada, como poderíamos imaginar.

Então a resposta seria mais fisiológica?
Sim e não!

Na verdade, o peixe-elétrico libera uma descarga elétrica após armazenar esta energia dentro de algumas milhares de células especializadas chamadas de ELETRÓCITOS, que funcionam na verdade como se fossem uma pilha. Um peixe-elétrico possui várias fileiras dessas células, organizadas em série, gerando e armazenando energia elétrica.

Como a energia tem de "correr", os elétrons precisam seguir um "caminho" e por isso o potássio e o sódio (que estão dentro e fora desta célula) acabam gerando uma diferença de potencial, criando um pólo negativo e positivo, respectivamente. Forma-se, então, uma corrente elétrica entre esses pólos. Este fluxo de energia é liberado pelas pontas, saindo do peixe, fluindo de dentro para a parte de fora do animal.

A maior parte desta energia de alta voltagem é canalizada para o ambiente, e devido ao arranjo dos eletrócitos em fileiras, a corrente total se divide em vários caminhos, o que faz com que a corrente em cada caminho seja muito baixa, de modo que não afeta o peixe.

Eles existem no Brasil?

No mundo inteiro existem inúmeras espécies de peixes elétricos. No Brasil, o mais famoso é o PORAQUÊ, nome popular do Electrophorus electricus, encontrado no Amazonas.

Cerca de 90% do corpo desse peixe tem a presença dos eletrócitos, mencionados no inicio do texto. Para termos uma ideia do perigo, ele pode gerar uma descarga elétrica de 300 a 500 Volts, podendo causar a morte ou um desmaio, dependendo da intensidade da descarga".

Clique aqui e veja um vídeo sobre os peixes elétricos.

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